segunda-feira, maio 09, 2005

É preciso imaginar Sísifo feliz

Imaginem aí. Imaginem. Comigo não cola.

quarta-feira, maio 04, 2005

dom quixote

‘O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha’, obra de Miguel de Cervantes escrita no início do século XVII, faz 400 anos. Ainda hoje é lido com entusiasmo, recomendado aos jovens e exaltado como um romance exemplar.

Desde o seu surgimento, Dom Quixote jamais passou desapercebido: logo foi traduzido por toda Europa e imediatamente começou sua trajetória de influência na cultura ocidental. São inúmeros os ecos da obra de Cervantes em todas as artes. E mesmo fora desse universo, Dom Quixote é conhecido das pessoas, mais ou menos interessadas em literatura, que no mínimo têm alguma idéia do conceito de "quixotesco": aquilo que já nasce fadado ao insucesso, por fundar-se em sonho, mas em sonho que vale a pena.

Dom Quixote é uma figura triste de um cavaleiro precário que ataca moinhos de vento pensando combater gigantes, e justamente essa figura se mantém há quatro séculos dizendo algo do ser humano que as gerações continuam querendo ouvir. Ele gostava de livros de cavalaria. Era um homem comum com uma vida comum, mas a literatura lhe apresentava um outro mundo - e nela ele via grandiosidade. Não satisfeito em apenas beber do sonho através da leitura, o fidalgo, um dia, resolve viver o que lê nos livros. Resolve viver o sonho. Deixa, então, de ser o fidalgo Alonzo, seu nome verdadeiro, e passa a chamar-se Dom Quixote de la Mancha. Torna-se um cavaleiro com uma missão, e dedica seu amor a uma mulher que não é uma simples aldeã, mas a Dama Dulcinéia del Toboso. Dom Quixote resolve, em suma, poetizar a vida, criando-lhe um sentido, já que não o encontra na vida real.

Porém vejamos que Dom Quixote é um personagem dentro de um livro escrito no início do século XVII. Sua “vida real” não passa de estória inventada, e ele não está satisfeito com isso. Quer inventar a própria história, mas imita as estórias de outros livros. E assim fica revelado que precária é a existência própria deste homem, e não sua pretensão em ser cavaleiro e não apenas fidalgo.

É o desconforto do ser humano em saber sua existência condicionada, inexorável e relativa. Dom Quixote quer viver a imaginação pois pressente que é fruto também de uma imaginação. O fidalgo quer tomar as rédeas, custe o que custar, e lhe custa caro. Como, de resto, ao homem do renascimento, que se descobre livre da idéia medieval de Deus mas não menos preso a alguma idéia de sobrenatural para aliviá-lo da solidão ou do não sentido. Nem que Deus seja a razão, a natureza, a arte, a capacidade humana de construir ou destruir - ou tudo isso junto, no curso da história que se segue, da história da humanidade, até hoje, não prescindimos ainda da busca por alento ou transcendência do absurdo que é estar aqui.

segunda-feira, maio 02, 2005

fica

Se não tenho escrito aqui, não é por falta de nada. É por falta, mesmo.
Falta, ela mesma. Ela, e só.
Quem me conhece sabe que tenho pavor de simulacros. Então ficamos assim: assim, mesmo.
Por enquanto, nada acaba, suspende ou muda: apenas fica: mudo.
Muda. Ela. Só. Mesma.

sábado, abril 23, 2005

this is not an answer

nossa música

"Em relação a ver, diz-se aos outros: olhe lá! Quanto a imaginar, recomenda-se: feche os olhos! A partir desta diferença entre imaginar e ver, Jean-Luc Godard se posiciona, na obra-prima Nossa Música, a favor do cinema que busca o invisível e o ininteligível, ou seja, que conhece a limitação da imagem em representar nada além do que o óbvio, tantas vezes repetido, a serviço de estratégia de poder que privilegia o discurso dominante contra as minorias que teimam em resistir com suas diferenças."

Se quiser, leia o resto da crítica do filme na revista Contracampo. Mas eu assistiria à obra primeiro. Ela fala bem, fala calmamente, ela é quase didática - só não o é por ser, antes, poética.

Nossa Música conversa com o espectador, não há necessidade de se armar antes de sair para que haja diálogo, então vá e assista. Depois leia o resto do texto citado acima só se tiver alguma dúvida ou se for do tipo que gosta de confirmar as próprias impressões.

É, acho que é pra isso que serve a atividade crítica, no fim, não é mesmo? Explicar pra quem carece de sentidos precisos e fazer eco ao sentido que a gente mesmo dá pras coisas.
patrícia me disse que a alma não tem resistência fixa. ela não pode ser como o metal, por exemplo. o metal tem resistência fixa e é bem dúctil, entre otras cositas más. já a alma pode se espalhar por todos os lugares e se transformar em várias formas como um quadrado, uma elipse, um arabesco art nouveau. ela pode até se colar ao corpo da gente imitando um ponto de exclamação.
parece que o estado da alma está mais para líquido que para sólido, e com certeza ela é um não-metal na tabela periódica.
patrícia acha isso muito interessante porque a alma pode interagir com todos e com o mundo sem que você saiba disso.
"você pode achar que é apenas um sonho! é muito real isso!", conclui patrícia.

entrevisibilidade

Não sou capaz de dizer que não quero ajudar, porque não é que não queira. Não sei separar os meus próprios pensamentos das coisas que me vão sendo ditas por outras pessoas. As coisas me chegam e se incorporam, processo e transformo, dou minha própria interpretação e isso é instantâneo, e sempre proponho algo. A acriticidade não conhece a minha língua, o meu beijo mancha o rosto de batom.

Não quero ajudar porque preciso de ajuda, e é da minha própria. Não atendo ao telefone, não ligo pra ninguém, nunca peço que me encontrem urgentemente, pois preciso de você agora. Eu preciso de mim, deixar de dar a cada um que me pede um pedaço sem saber que é um pedaço de sonho que não tenho. Invento na hora. Ontem acordei mil vezes durante a noite, até dormindo não se pode fechar os olhos. O invisível não existe, são sempre imagens, mesmo se eu tentar criar aqui uma história, "era uma vez uma menina que perdeu o bonde", uso imagens que eu não criei. Estamos entrelaçados pelo visível, presos à forma grudada até naquilo que só você poderia saber. Você não sabe, "só você" acabou no dia em que leu o primeiro conto de fadas e viu as ilustrações, a branca de neve no vestido azul com botões brancos e aquele rosto gordinho, os cabelos bem pretos e a franja reta cobrindo a testa.

Este sonho não é meu. Desculpe, não posso dar um pedacinho dele a você. Meu batom foi comprado nas Americanas, tem essa também, não é minha boca, é o batom que mancha, se for vermelho é difícil de tirar, é difícil, água, hidratante, tônico, produtos específicos para a remoção da maquiagem, mil bolas de algodão: vai sair.

quinta-feira, abril 21, 2005

a alma não tem residência fixa

"a alma não tem residência fixa", escrevi outro dia.

fiquei pensando desde então que não fui eu quem pensou isso. ou foi? me parece que essa frase já foi dita, talvez até seja uma frase comum e eu não esteja me apercebendo disso. essa frase é clássica? tem autor? alguém sabe me dizer?

terça-feira, abril 19, 2005

diz o daniel galera que a novela américa está dando problema. parece que há uma crise nos rumos da história, pois na globo vê-se a vontade da guria que quer fazer a américa como uma vontade sem sentido. falta uma justificativa, uma causa. no todo coerente da novela, de qualquer novela, naturalmente, falta um drama, um conflito explícito. galera comenta:

É uma pena. Ninguém compreendeu que a personagem de Débora Secco encarna o mal-estar da pós-modernidade, o ser individualista desprovido de guias morais e tabus, impotente diante das infinitas e simultâneas possibilidades do mundo, optando por uma e outra quase que aleatoriamente, saltando de frustração em frustração, empurrando absurdamente a pedra para o topo inatingível da montanha.


ora, ora, ora. ninguém compreendeu. querem arranjar uma doença pro padrasto da moça, diz ele. ora, ora. aí tudo fará sentido, ó, sim, fará. e ela fará a américa, só por isso.

e enquanto houver novelas e autores e público querendo causa e efeito absolutamente coerentes pra tudo, enquanto houver esse sentido todo fazendo sentido o tempo todo na televisão uma vez por dia na vida das pessoas, tudo ficará bem. não há mal-estar na família brasileira, o que há é sobretudo depressão, bipolaridade, transtornos. transtornos são um sentido rumo à cura, a pedra no meio da montanha. precisamos tirar a pedra e seguir. se é clássico esse sentido, por ser clássico se justifica. tautologias. embora o pessoal nem esteja ligando que elas só sejam mesmo absolutas na matemática, e não duvido de que nem lá.

o público vê o mal-estar da personagem na novela e acha sem sentido. pede uma providência. e ganha! como vemos, existe, sim, mundo perfeito e linha reta. e o círculo, como também sabemos, é convulsivo!, é convulsivo!

bordei um emaranhado de fios amarelos na minha camiseta azul. não atei o ponto final.

segunda-feira, abril 18, 2005

o rugir da natureza

tenho medo de muita coisa natural da vida e não gosto disso. o natural é estar chocada, permanentemente chocada, e não é só com a quantidade de gente que se droga todo fim-de-semana.

tem aquilo que o caio diz: 'já tentei tudo, cara. filosofia, psicanálise, voodoo...'. ele diz algo assim. eu também digo. já acreditei em tudo, menos em religião. queria ter uma, juro que me faria bem. nem que fosse a de acordar todas as manhãs, lavar o rosto com sabonete para peles oleosas, olhar o amanhecer e me divertir com as cores variadas que as núvens pegam de dia para dia, sorrir, tomar o café, vestir uma calça e esperar o ônibus. fazer isso, sempre, com a certeza de que isso é estar fazendo alguma coisa. mas eu não consigo usar calças todo dia, preciso usar saia. e preciso passar protetor solar mesmo que esteja chovendo. mas é difícil pra mim, muito difícil manter uma religião, mesmo a do protetor solar. de qualquer forma, me conservo mais branca do que poder-se-ia supor que alguém ficasse, naturalmente, nos trópicos, e não é só genética. meus cabelos são pretos ou quase, nasci assim. me chocam os trópicos. prefiro sacrificar a rua à pele.

a tal da originalidade. por muito tempo me pareceu um bom sentido para a vida persegui-la. depois vieram as teorias originais, as obras de arte orginais e as pessoas que conheci que me pareceram únicas. mas tudo durou o tempo de um ciclo perceptivo: aproximar o olho, ficar quase cego, afastar, e então sintetizar. entre o afastamento e a síntese há algo de perverso e inexorável, uma maldadesinha que a vida nos aplica, rindo da nossa ingenuidade.

o sentido histórico acabou com minha idéia de sentido pra vida.

espero por alguma coisa, urgentemente. (versão 45)

quinta-feira, abril 14, 2005

o rótulo. a pátria. a origem. as referências. o ponto final.
é mais fácil que entendam se a gente falar de alguma temática pré-isolada?
aquele vão onde ficam as pessoas, aquele vão algum dia vai ser nomeado?
a alma não tem residência fixa, mas alma é uma palavra gasta. se eu falar em alma querendo dizer aquilo (alguém deve estar sabendo o que), desvio a atenção. aí me lêem como poetinha wannabe, ou coisa bem mais arcaica.
wannabe também dá problema, é coisa de modernete. mas modernete já é coisa gasta, agora andam dizendo sei lá o que.
nos perdemos nos nomes.
o meu é maria, mas foi um acidente, percebam.

quarta-feira, abril 13, 2005

entre o saber e o duvidar, existe alguma coisa? entre isso e aquilo, como é que se faz?
anda-se cego brincando de adivinhar?
criança eu andava brincando de cega, aí a adivinhação era coisa séria.
nunca pensei adivinhar de brincadeira e ser cega de verdade.
preciso estar feliz, e não é só pra escrever. se tudo me pesa como se a vida já estivesse mesmo determinada, e me pesa, não saio do lugar. e aí sou literal: eu não temo ficar presa à cama, não me apavoro em pensar na paralisia. a dúvida está em mim tão apegada quanto o próprio apego a ela. e é tudo, é tudo o que tenho. não o medo de ficar sempre sozinha com a dúvida, não o apego de saber quente a minha cama, não o pavor de ser maltratada pelos estabelecidos ou o constrangimento de pedir ajuda em vão. o que tenho é, sobretudo, a dúvida.

sábado, abril 09, 2005

NÃO

O Não - fanzine que migrou dos cadernos de setenta e poucos, que passavam de mão em mão, pra internet dos anos noventa - me disse sim quando eu comecei a escrever, pelos 16 anos, incrível tempo de 1999.
Achava o futuro meu nome estar figurando ali no meio de Gerbases, Furtados, Mojos, Galeras e de um montão de gente mais que eu gostava de ler, e que eu queria saber por onde anda hoje, gente e idéias e textos que se perderam no meio do tempo e do tal futuro.
Bom, mas até hoje tem alguns contos meus por lá, se alguém quiser dar uma olhada. As edições todas continuam no ar. O ar é que mudou, eu não sei, não sei, não...
Mas eis que, nessas idas e vindas de entrar e sair de sites, fui parar lá naquele tempo de novo. E achei uma edição de outubro de 2004 do Não.

Não foi embora.
Não, não foi.

"Está se precipitando uma guerra pouco santa. Encalha-se no narcisismo desde a leitura. A criação apenas a amplifica. Acredito que se desaprendeu a ler para reafirmar a vaidade da autoria. Todo leitor se transforma em um escritor apressado, louco para se enxergar estampado na capa de alguma brochura. Ou seja, o leitor está mais interessado em escrever do que ler. E ler se converteu em escritura anônima. Segue-se uma receita, com a covardia em preparar o almoço de olho e acrescentar novos ingredientes. Nada disso seria problema, mas acaba-se não sabendo ler o que não é espelho, intimidando possibilidades de transgressão e aventuras na linguagem. O que não é espelho é rosto e muitos se apavoram em olhar de frente os olhos abertos que não os seus. Não se lê outros autores porque se está interessado unicamente em reiterar a identidade. Assim, ninguém lê ninguém, o autor somente se procura em cada livro e não valoriza o que difere de sua voz. Ao invés de multiplicar as diferenças, soma-se as subtrações. A megalomania na leitura gera mais crítica dentro da criação do que criação. Os livros passam a ser ensaios de como se escrever mais do que narrativas e poesias versando sobre o cotidiano. O que era para servir para entrar no mundo assumiu o caráter de fuga do mundo. Os escritores lêem escritores para se amar duas vezes, mergulhando em uma metalinguagem sem bilhete de volta. Esquecem que o público não está interessado em manuais de datilografia ou de poemas falando de poemas. Coroa de flores nunca vai cheirar a flor." (Fabrício Carpinejar)

Leia o texto completo aqui.

este coelho será curtido

sexta-feira, abril 08, 2005

EVIL

we get it.

EVIL > www.evil.com

lógica aplicada (uma aproximação)

outro dia fui à aula.
e não houve aula.
aí me intrometi na sala em que o professor sergius gonzaga daria a sua.
ele apareceu e comunicou que também não poderia cumprir seu dever pois tinha que fazer sala prum cônsul italiano que visitava o campus do vale.
aí ele distribuiu uma coletânea de ensaios do José Hildebrando Dacanal, "Ensaios Escolhidos".
de presente pros alunos, o livro, um pra cada um.

o J.H Dacanal parece que também não era muito de dar aula.
mas todo mundo diz que ele foi o maior mestre que a letras já viu passar pelas suas salas de aula. só que todo mundo diz isso fazendo a ressalva: ele era esquisito, iconoclasta, raivoso... polêmico!

li no blog do tailor diniz que o Dacanal uma vez disse assim:

“Não sou polêmico coisa nenhuma, eu apenas falo, não encontro alguém à altura para me contestar. Sendo assim, não posso ser polêmico.”

...

estou lendo o livro do dacanal. os ensaios dele.
e acho que ele tem razão.
sobre a polêmica, sobre a literatura, sobre o método que ele aplica pra analisar as coisas.
ele não tinha culpa se as pessoas não conseguiam nem definir sobre o que estavam falando. ele conseguia.

no ensaio 'era uma vez a literatura', o professor coordena o leitor, primeiro, a pensar naquilo que ele está querendo atacar. depois de definido o foco, então, ele ataca.

método.

...

arte não é ciência.
literatura é arte.
literatura não é ciência.
...

a atividade teórica a cerca da literatura é.
ou deveria se pautar, pelo menos, minimamente por princípios disciplinadores.

...

disciplina é liberdade.

...

arte é melhor que liberdade.

recomendações

eu e a romy estamos cansadas do pessoa e da ana cristina. cansadas não, claro que não: do pessoa não se cansa e eu (a romy sim!) pouco conheço da ana cristina ainda.
mas, enfim, acho que vocês entenderam. nós queremos diversificar nossas leituras poéticas. têm alguma dica?
mandem! mariamad@gmail.com

o que não seja corpo, o que não seja ponto

Ítalo Moriconi escreveu: "Ana Cristina dizia que uma das facetas do seu desbunde fora abandonar a idéia de ser escritora, livrar-se do que ela naquele momento julgava ser sua face herdada, o estigma princesa bem-comportada, alguém marcada para escrever".

olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue nas gengivas

(ana cristina césar)

outros poemas dela aqui.

segunda-feira, abril 04, 2005

ANTI

"Sou uma pessoa bizarra. Não assisto televisão há mais de dois anos e nos jornais deixei de acreditar há um bom tempo. Penso e tenho sensações estranhas a respeito das coisas que estão a nossa volta. Acredito que vivamos uma batalha constante entre o Bem e o Mal e que ela se manifesta dentro de cada um de nós a todo o momento, através de estímulos internos e externos e através das escolhas que fazemos em nossa vida.

(...)

Só não comecei um tratamento psiquiátrico ainda porque sou teimoso. Continuo acreditando nas minhas convicções e nas pesquisas do Instituto Paulo Montenegro a respeito de analfabetismo funcional. Conforme o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (2003) :
“Só 25% dos brasileiros entre 15 e 64 anos demonstram habilidades plenas de leitura e escrita”.
Ou, lendo de outra forma: 75% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são idiotas, ou quase isso. O resultado de constatações como essa deixam qualquer pessoa frustrada. Começamos a entrar num universo de questões que não são debatidas clara e abertamente, de coisas que não são faladas e outras que teimam em não ser ouvidas e entendidas. O resultado é uma moderna Torre de Babel onde ninguém se entende. Agimos uns com os outros como se fossemos de planetas distintos, onde a comunicação e o consenso parecem impossíveis.


(...)

Saiba que você, que participa de alguma conspiraçãozinha fajuta ou grandiosa, em qualquer escala, está me prejudicando direta ou indiretamente. E isso não vai ficar assim. Te juro por Deus, Alá, Maomé, Buda ou Dalai Lama que eu vou fazer tudo que for possível para te ferrar. Para esmagar a tua cabeça como Jesus fez com a cobra que vinha picá-lo na última noite.
Tem alguma sugestão melhor? Cantar “Imagine” com 1 bilhão de pessoas na frente da Casa Branca ia adiantar alguma coisa? Mas e se essas pessoas estivessem com uma camiseta escrita “Fuck You Bush” e olhando com cara de brabo para o cachorro dele , a coisa ia ser diferente. Ah se ia. Ele e sua ganguezinha de meia tigela íam ter medo.

(...)

Sabe qual é o problema? A gente não se entende e tem medo."


caco rocha criou a campanha anti, que é contra o bush, a princípio.
a princípio porque, como se pode ver pelos excertos acima citados, esse guri PENSA contra um MONTE de coisas que deveriam mesmo ser combatidas.
tenho vergonha de não me engajar no projeto do caco.

eu, se fosse vocês, prestava atenção no que esse cara diz.
é o mínimo.

ANTI
tenho a curva no quadril mas o pé não samba.
tecnicamente sou quadrada, batidas retas uma noite inteira.
a reta é formada de pontos, a batida é formada de loops.
nem a língua mãe me dá uma pátria.
nem a pátria mãe me dá uma língua, uma reta, um ponto.
tecnicamente sou quadrada e querem acabar com a curva da
brasileira.
uma noite inteira.
batida.
reta.

sábado, abril 02, 2005

cometi uma injustiça

quem descobriu inicialmente a história da semelhança estre as entrevistas com o woody allen não foi alguém do insanus, mas o responsável pelo http://samjaquimsatva.blogspot.com/.

nibiru de carla barth

não percam a galeria de trabalhos dela.

sexta-feira, abril 01, 2005

blogging for good

a comunidade blogueira insanus foi atrás de uma história e está dando o que falar: a revista istoé publicou uma entrevista com o cineasta woody allen supostamente feita pelo jornalista osmar freitas júnior durante um encontro em um hotel, em nova iorque. ocorre que, descobriram os blogueiros, a mesma entrevista, com as mesmas perguntas e as mesmas respostas, foi publicada no suicide girls, site pornocult underground americano.

a partir de uma simples lebre levantada, surgiu toda uma investigação por parte dos guris donos dos blogs do insanus: um ligou pra istoé, o outro trocou e-mails questionando o jornalista brasileiro acusado de plágio, o outro descobriu mais entrevistas publicadas em outros veículos estrangeiros também idênticas às duas primeiras. agora já são seis conjuntos de perguntas e respostas iguais identificados pelos nossos investigadores independentes.

seis veículos, um brasileiro e 5 estrangeiros, dando a mesma entrevista de woody allen e reivindicando exclusividade. essa estranha coincidência gera muitas hipóteses dentro e fora do mundo insanus para um esclarecimento sobre o que, de fato, aconteceu: cinco plagiaram de um que efetivamente conseguiu a entrevista com allen? todos tiraram as respostas de um release da assessoria do cineasta, mas informaram que realizaram uma entrevista? ou tratou-se de uma coletiva, e isso não foi informado por nenhum dos jornalistas?

não duvido que os guris ainda descubram a verdade, a julgar pela rapidez com que estão juntando as pecinhas desse caso típico do paradigma novo e, por isso mesmo, tão confuso, da comunicação glabalizada. mas o episódio tem importância especial na medida em que marca um papel próprio e efetivo desempenhado pelos indivíduos fora das grandes instituições. é provável que muitos fatos semelhantes já tenham acontecido mas não tenham sido esclarecidos pela impossibilidade de trocar informações e dar publicidade a elas dinamicamente. talvez tenha sido a primeira vez em que os blogs brasileiros tenham mostrado sua força de ação fiscalizadora da imprensa tradicional, como, aliás, já vem ocorrendo na blogosfera americana, valendo-se de suas epecificidades para expor justamente as fragilidades dos sistemas tradicionais.

quinta-feira, março 31, 2005

supletivo literário

nunca fui muito fetichista com livros, discos, coisas, enfim. pra mim, basta o texto encontrável fácil na internet, a música em mp3. mas, pra quem gosta de ver as coisas como elas foram feitas, pra quem tem essa curiosidade, esse fascínio, imperdível o suplemento literário, um mecanismo de busca de textos de autores consagrados publicados em um jornal de minas gerais. são fotinhos das páginas, acho que é micro-filme que se fala, algumas delas com ilustrações. tem lygia fagundes telles, tem alejo carpentier, tem um monte de autores. bem prático o sistema.